A pedagogia transmissiva «deprecia a investigação e o debate», diz Philippe Perrenoud:
«Encaremos o principal: a preferência que o sistema educativo e a maior parte dos seus agentes dão à quantidade do saber transmitido, em detrimento da qualidade da sua assimilação e do trabalho sobre a relação com os saberes e com os seus sentidos.
Fica bem denunciar o enciclopedismo, mas este continua presente nos manuais, nos programas, no espírito dos professores, dos alunos e dos pais.
Quer-se esgotar o assunto, ensinar tudo, avaliar tudo, mesmo quando se adivinha que, deste modo, só os alunos mais inteligentes assimilarão verdadeiramente os conteúdos ensinados.»
(2002)
Comentário:
A pedagogia transmissiva e o enciclopedismo não ajudam a fazer + por quem tem menos condições, estímulos e oportunidades. Favorece sempre os que já têm os estímulos, as condições e as oportunidades. São estes que se adaptam e tiram proveito do ensino transmissivo. Estão mais aptos e motivados ao "enchimento da cabeça" para despejar nos testes e exames.
O fazer + defende outra pedagogia, construtiva e significativa, que faça mais por todas as crianças e jovens e não apenas por alguns deles. Uma pedagogia que permita aprendizagens significativas, duradouras, motivantes. Que privilegie a qualidade e não a quantidade. Que eduque na cidadania e na autonomia. Em que as aprendizagens acontecem pelo fazer, por ser autor da sua própria aprendizagem. Que respeita as crianças e jovens enquanto seres pensantes. Que confia na inteligência, na razão, no saber. Os agentes educativos têm de ter a consciência que a pedagogia transmissiva coloca à margem muitos alunos. É possível ter crianças mais motivadas e sabedoras procurando outras alternativas.
terça-feira, março 21, 2006
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